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Vingança Após Traição: Raiva, Humilhação e o Desejo de Retaliação Que Ninguém Quer Admitir

  • Foto do escritor: niviaserrapsi
    niviaserrapsi
  • há 7 dias
  • 4 min de leitura

Vingança após traição: por que a raiva, a vergonha e o desejo de retaliação surgem com tanta força?

Vingança Após Traição

Ser traído não provoca apenas tristeza.Para muitas pessoas, a experiência ativa algo muito mais intenso e desconcertante: o desejo de vingança após a traição.

Uma vontade quase física de revidar.De ferir como foi ferido.De expor, humilhar, devolver a dor.

E quando isso acontece, surge um segundo sofrimento:

“Como posso estar pensando isso?”“Que tipo de pessoa eu me tornei?”

Este texto é para quem vive — ou já viveu — raiva, humilhação, vergonha e desejo de retaliação após uma traição, e não encontra espaço para falar disso sem ser julgado.


A vingança após traição não surge do nada

A vingança após traição não é sinal de frieza, crueldade ou falta de caráter.Ela nasce, quase sempre, de uma ferida profunda na dignidade.

Quando alguém descobre uma traição, o impacto não é apenas emocional. Ele é também narcísico e social:

  • A imagem que você tinha de si mesmo é quebrada

  • A sensação de ser especial é substituída pela de ser substituível

  • Surge a fantasia de que “todo mundo sabe”

  • Aparece a vergonha de parecer ingênuo, cego ou “feito de bobo”

A traição atinge o valor pessoal, não apenas o vínculo.


Raiva: o anestésico emocional da traição

Após a traição, muitas pessoas relatam algo curioso:a raiva vem antes da tristeza.

Isso acontece porque a raiva funciona como um analgésico emocional.Ela entorpece a dor, dá energia, cria uma sensação temporária de poder.

Na experiência clínica, é comum ouvir frases como:

  • “Prefiro sentir raiva do que chorar”

  • “Quando estou com ódio, me sinto mais forte”

  • “A raiva me impede de desmoronar”

A vingança após traição, nesse sentido, aparece como uma tentativa psíquica de sobrevivência.


Humilhação e vergonha: quando a traição vira pública (mesmo que não seja)

Um dos aspectos mais devastadores da traição não é o ato em si, mas a humilhação imaginada.

Mesmo quando ninguém sabe, a pessoa sente como se todos soubessem.

Pensamentos frequentes:

  • “As pessoas têm pena de mim”

  • “Eu pareço ridícula(o)”

  • “Fui enganada(o) na cara dura”

  • “Minha dignidade foi pisoteada”

A vingança após traição surge, muitas vezes, como uma tentativa de restaurar a honra ferida.


Desejo de retaliação: ferir para não se sentir inferior

Quando alguém é traído, há uma inversão brutal de poder:

  • Um sabe

  • O outro foi enganado

  • Um escolheu

  • O outro foi excluído da escolha

A retaliação surge como fantasia de reequilíbrio:

“Se eu fizer o outro sofrer, deixo de ser a parte fraca.”

É importante dizer com clareza:👉 fantasiar vingança não é o mesmo que agir com vingança.

Fantasiar é humano.Agir pode ser destrutivo — inclusive para quem age.


Fantasias de vingança: normais, mas perigosas quando viram plano

Muitas pessoas experimentam fantasias intensas após a traição:

  • Expor o parceiro

  • Trair de volta

  • Humilhar publicamente

  • Fazer o outro “sentir na pele”

Essas fantasias funcionam como uma descarga simbólica da agressividade.

O problema começa quando a vingança após traição deixa de ser fantasia e passa a organizar decisões, comportamentos e identidades.

Nesse ponto, a pessoa já não reage à traição — ela passa a viver em função dela.


Por que a vingança não cura a dor da traição

A vingança após traição promete alívio, mas costuma entregar outra coisa:

  • Mais culpa

  • Mais confusão emocional

  • Mais distância de si mesmo

  • Mais dificuldade de encerrar o ciclo

Muitas pessoas relatam:

“Achei que ia me sentir melhor… mas fiquei pior.”

Isso acontece porque a vingança mantém o vínculo ativo.Ela não fecha a ferida — ela a mantém aberta.


Entre agir e suportar: o espaço da elaboração emocional

Existe um caminho mais difícil, porém mais transformador, entre:

  • explodir em vingança

  • ou engolir tudo em silêncio

Esse caminho é o da elaboração emocional, onde a raiva, a vergonha e o desejo de retaliação podem ser nomeados, compreendidos e regulados.

Não se trata de “perdoar rápido”.Nem de “ser evoluído”.Trata-se de não se abandonar no processo.


A vingança após traição na terapia de casal ou individual

Na clínica, trabalhar a vingança após traição envolve:

  • Reconhecer a raiva sem moralizá-la

  • Diferenciar fantasia de ação

  • Resgatar a dignidade ferida

  • Reconstruir limites internos

  • Decidir conscientemente: ficar ou ir

A terapia oferece um espaço onde sentimentos socialmente condenados — como ódio e desejo de vingança — podem ser acolhidos sem julgamento.

É nesse espaço que a pessoa deixa de ser refém da traição.


Quando a raiva é o começo da reconstrução

Paradoxalmente, a raiva pode ser o primeiro passo da reconstrução — desde que não vire identidade.

A pergunta central não é:

“Posso sentir isso?”

Mas sim:

“O que faço com isso?”

A vingança após traição precisa ser compreendida, não atuada.


Você não é pior por sentir isso

Se você sente raiva, vergonha, humilhação ou desejo de vingança após uma traição, isso não define quem você é.Define o tamanho da ferida que foi aberta.

Com o acompanhamento certo, essa dor pode:

  • deixar de comandar suas decisões

  • deixar de aprisionar você ao outro

  • deixar de corroer sua autoestima


Como a terapia pode ajudar após uma traição

A terapia cognitivo-comportamental e a terapia de casal ajudam a:

  • compreender o impacto emocional da traição

  • trabalhar a raiva e o desejo de vingança

  • reconstruir a dignidade emocional

  • decidir com mais clareza os próximos passos

  • evitar ciclos de retaliação e sofrimento


Agir movida(o) pela raiva pode parecer alívio, mas quase sempre prolonga a dor. Elaborar o que está acontecendo dentro de você é o que realmente devolve o controle.

O atendimento pode ser individual, se a traição levou ao rompimento,ou de casal, para quem deseja continuar junto sem repetir os mesmos padrões.

Não é sobre vingança.É sobre não se perder de si mesma(o) depois do que aconteceu.


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