Inteligência emocional: por que ela importa mais que o sucesso intelectual
- niviaserrapsi
- 2 de out. de 2025
- 3 min de leitura
A dificuldade de desenvolver inteligência emocional
Nos consultórios de psicologia é comum encontrar pessoas extremamente bem-sucedidas nos estudos e nos negócios, mas que se sentem perdidas quando o assunto é lidar com as próprias emoções. Recentemente, atendi dois empresários de Niterói, cidade vizinha ao Rio de Janeiro. Ambos sempre foram considerados inteligentes, tiraram boas notas, se destacaram na faculdade e alcançaram conquistas profissionais relevantes.
No entanto, quando enfrentam crises pessoais, como um término de relacionamento ou conflitos familiares, sentem-se sem chão. Um deles desabafou:
“Valorizo muito mais quem tem inteligência emocional do que a minha capacidade lógica. Onde ensina isso?”
Essa fala traduz uma inquietação cada vez mais comum: afinal, onde aprendemos a lidar com sentimentos, frustrações e vulnerabilidades?
O que é inteligência emocional?
O termo se popularizou com Daniel Goleman nos anos 1990, mas a ideia é simples: inteligência emocional é a habilidade de reconhecer, compreender e gerenciar as próprias emoções, além de lidar bem com as emoções dos outros.
Enquanto a inteligência lógica se expressa em cálculos, análises racionais e estratégias, a inteligência emocional está presente em:
Identificar e nomear sentimentos;
Regular reações diante de crises;
Desenvolver empatia;
Comunicar-se de forma assertiva;
Manter relações saudáveis mesmo em situações de estresse.
Por que a inteligência emocional é tão difícil para alguns?
Grande parte de nós cresceu em ambientes que valorizavam notas, diplomas e desempenho intelectual. Pouco ou nada se falava sobre como lidar com a raiva, a tristeza ou a rejeição. Assim, muitos adultos chegam à vida profissional preparados para desafios técnicos, mas despreparados para enfrentar dilemas emocionais.
Além disso, homens – em especial – foram culturalmente ensinados a reprimir sentimentos, o que os torna ainda mais vulneráveis quando enfrentam separações, crises conjugais ou decepções pessoais.
Consequências de não desenvolver a inteligência emocional
Dificuldade em manter relacionamentos saudáveis;
Sofrimento intenso diante de términos amorosos;
Sensação de solidão e vazio mesmo com sucesso profissional;
Crises de ansiedade ou estresse diante de pressões emocionais;
Falta de clareza na comunicação com parceiros, familiares e sócios.
Não é à toa que tantos empresários e profissionais de alta performance procuram terapia: a lógica sozinha não dá conta de sustentar uma vida equilibrada.
Onde se aprende inteligência emocional?
A resposta que dei ao meu paciente foi clara: a inteligência emocional não é ensinada nas escolas tradicionais, mas pode ser desenvolvida na terapia.
Na Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), trabalhamos o reconhecimento de pensamentos automáticos, a forma como eles influenciam as emoções e o impacto no comportamento. Aos poucos, o paciente aprende a:
Identificar padrões de pensamento destrutivos;
Nomear emoções com mais clareza;
Regular reações impulsivas;
Desenvolver empatia nas relações;
Melhorar a comunicação interpessoal.
É um aprendizado que transforma não apenas a vida pessoal, mas também a profissional, porque melhora a forma de liderar, negociar e tomar decisões.
Inteligência emocional no casamento e nos relacionamentos
Muitos términos de relacionamento não acontecem por falta de amor, mas por falta de habilidade emocional para lidar com conflitos. Casais que não sabem se comunicar acabam presos em ciclos de brigas, silêncios e afastamento.
Da mesma forma, empresários que não conseguem lidar com frustrações tendem a descontar a raiva em quem está por perto – parceiros, filhos ou colegas de trabalho. Desenvolver inteligência emocional é, portanto, um passo essencial para sustentar vínculos saudáveis.
Caminhos para começar hoje mesmo
Alguns passos que você pode adotar para iniciar esse desenvolvimento:
Autopercepção – ao sentir algo, pergunte-se: “O que estou sentindo agora?” e “O que esse sentimento quer me mostrar?”.
Autocontrole – pratique respiração antes de reagir impulsivamente em uma situação de estresse.
Empatia – tente se colocar no lugar do outro antes de responder.
Comunicação assertiva – expresse sentimentos sem acusar: “Eu me sinto frustrado quando…” em vez de “Você sempre faz isso!”.
Terapia – contar com um espaço seguro para elaborar dores e treinar novas habilidades emocionais faz toda a diferença.
O raciocínio lógico pode levar ao sucesso profissional, mas é a inteligência emocional que sustenta relacionamentos, equilibra a vida pessoal e ajuda a atravessar crises sem desmoronar.
Se você se identifica com essa dificuldade de lidar com as emoções, saiba que é possível aprender. A inteligência emocional não é um dom natural: é uma habilidade que pode ser desenvolvida com prática e acompanhamento.
Psicóloga Nívia Serra – CRP 05/50281
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