Quem é Você Além de Mãe, Esposa e Cuidadora?
- niviaserrapsi
- há 5 dias
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Quem é Você Além de Mãe, Esosa e Cuidadora? Quando Cuidar de Todos Significa Abandonar a Si Mesma

Você se lembra da última vez em que fez algo apenas porque tinha vontade?
Não porque precisava cuidar dos filhos.
Não porque era importante para o trabalho.
Não porque alguém dependia de você.
Mas simplesmente porque aquilo fazia você se sentir viva.
Para muitas mulheres, essa pergunta provoca um silêncio desconfortável.
Com o passar dos anos, algumas deixam de ser percebidas apenas como mulheres. Tornam-se mães, esposas, cuidadoras, administradoras da casa, organizadoras da rotina familiar, responsáveis pelas necessidades emocionais de todos ao redor.
E, sem perceber, começam a desaparecer dentro dessas funções.
O problema é que, quando a mulher desaparece, o desejo costuma desaparecer junto.
Essa é uma das reflexões mais profundas da terapeuta de casais Esther Perel.
Segundo ela, muitas vezes a crise sexual não começa na cama. Ela começa muito antes, quando a mulher perde contato com partes importantes de sua identidade.
E isso gera sofrimento não apenas para ela, mas também para o homem que está ao seu lado.
Por que tantas mulheres deixam de se reconhecer?
A maioria das mulheres não acorda um dia decidida a abandonar a própria identidade.
Isso acontece gradualmente.
Primeiro vem a dedicação ao relacionamento.
Depois chegam os filhos.
As responsabilidades aumentam.
A rotina se torna intensa.
As prioridades mudam.
E, pouco a pouco, tudo aquilo que alimentava sua individualidade começa a ser deixado para depois.
As amigas ficam para outro momento.
Os hobbies desaparecem.
Os projetos pessoais são adiados.
O cuidado consigo mesma passa a ser considerado um luxo.
Até que um dia surge uma sensação difícil de explicar:
"Eu não sei mais quem eu sou."
Muitas mulheres chegam ao consultório relatando exatamente isso.
Não estão apenas cansadas.
Não estão apenas sem desejo.
Elas se sentem desconectadas de si mesmas.
O que acontece com o desejo quando a mulher desaparece?
Muitas pessoas acreditam que o desejo sexual depende apenas de atração física.
Mas o desejo humano é muito mais complexo.
Desejamos quando nos sentimos vivos.
Desejamos quando estamos conectados com quem somos.
Desejamos quando existe espaço para espontaneidade, curiosidade e liberdade emocional.
Quando a vida da mulher passa a girar exclusivamente em torno das necessidades dos outros, sobra pouco espaço para que ela se encontre consigo mesma.
E quando isso acontece, não é raro ouvir frases como:
"Eu amo meu marido, mas não sinto vontade."
"Eu gosto dele, mas não consigo me conectar sexualmente."
"Não sei o que aconteceu comigo."
Muitas vezes o problema não é a falta de amor.
O problema é a falta de conexão consigo mesma.
A dor silenciosa dos homens
Quando falamos sobre desejo feminino, é importante olhar também para o sofrimento masculino.
Muitos homens interpretam a diminuição da intimidade como rejeição.
Eles tentam se aproximar.
Tentam conversar.
Tentam criar momentos românticos.
Tentam ajudar.
E, ainda assim, encontram distância.
Com o tempo, podem começar a pensar:
"Ela não me deseja mais."
"Talvez eu não seja atraente."
"Talvez ela não me ame."
O problema é que nem sempre o afastamento é sobre ele.
Muitas vezes a mulher não perdeu o interesse apenas pelo parceiro.
Ela perdeu contato consigo mesma.
Mas para quem está do outro lado, essa diferença nem sempre é fácil de enxergar.
Por que alguns casais entram em um ciclo de pressão e afastamento?
Quando a intimidade diminui, muitos homens aumentam as tentativas de aproximação.
Quanto mais ele procura.
Mais ela se sente pressionada.
Quanto mais ela se afasta.
Mais ele insiste.
E assim nasce um ciclo extremamente desgastante.
Ele sente rejeição.
Ela sente cobrança.
Ele sente solidão.
Ela sente culpa.
Nenhum dos dois está feliz.
E ambos começam a acreditar que o outro é o problema.
Na verdade, muitas vezes estão presos em uma dinâmica que ninguém ensinou como resolver.
Quem é Você Além de Mãe, Esposa e Cuidadora?
Essa pergunta é muito mais importante do que parece.
Porque o desejo não costuma florescer apenas dentro do relacionamento.
Ele floresce dentro da própria pessoa.
Uma mulher que cultiva sua individualidade continua tendo acesso a partes de si que vão muito além das responsabilidades familiares.
Ela continua sendo:
mulher;
profissional;
amiga;
sonhadora;
curiosa;
criativa;
desejante.
Quanto mais reduzimos nossa identidade a um único papel, mais empobrecemos nossa experiência emocional.
E isso inevitavelmente afeta o relacionamento.
O que a maternidade muda na vida sexual do casal?
A chegada dos filhos é uma das maiores transformações que um relacionamento pode enfrentar.
A rotina muda.
O sono muda.
As prioridades mudam.
O tempo livre praticamente desaparece.
Mas existe outra mudança menos falada.
A identidade também muda.
Muitas mulheres passam a ser vistas principalmente como mães.
E começam a se enxergar dessa forma.
A energia emocional que antes era distribuída entre diferentes áreas da vida passa a ser direcionada quase exclusivamente para os filhos.
O resultado pode ser um enfraquecimento gradual da conexão erótica do casal.
Não porque o amor acabou.
Mas porque a mulher passou a viver quase exclusivamente em modo de cuidado.
O paradoxo entre o amor e o desejo
Uma das contribuições mais importantes de Esther Perel é mostrar que o amor e o desejo não seguem exatamente as mesmas regras.
O amor busca segurança.
O desejo precisa de vitalidade.
O amor busca proximidade.
O desejo também precisa de espaço.
O amor gosta da previsibilidade.
O desejo gosta da descoberta.
Por isso, o desafio dos relacionamentos duradouros não é escolher entre um ou outro.
É aprender a administrar essa tensão.
Como escreveu Esther Perel:
"A conciliação do erótico e do doméstico não é um problema a ser resolvido; é um paradoxo a ser administrado."
Como recuperar a conexão consigo mesma?
Recuperar o desejo nem sempre começa com técnicas sexuais.
Muitas vezes começa com perguntas.
O que faz você se sentir viva?
O que desperta sua curiosidade?
O que você gostava de fazer antes de assumir tantos papéis?
O que foi abandonado ao longo do caminho?
Quais partes de você estão esperando para voltar?
Em muitos casos, a recuperação do desejo passa pela recuperação da identidade.
Como a terapia pode ajudar?
Uma das maiores vantagens da terapia é ajudar a identificar padrões que se tornaram invisíveis dentro da rotina.
Na Terapia Cognitivo-Comportamental e na Terapia Cognitivo-Sexual, trabalhamos questões como:
perda da identidade feminina;
baixa conexão emocional;
diminuição do desejo sexual;
sobrecarga mental;
conflitos conjugais;
comunicação do casal;
crenças que bloqueiam a sexualidade;
reconstrução da intimidade.
O objetivo não é apenas aumentar a frequência sexual.
O objetivo é ajudar o casal a recuperar a conexão, o companheirismo, a admiração e a intimidade emocional.
Porque quando a mulher volta a se encontrar consigo mesma, o relacionamento também pode encontrar novos caminhos.
Quando procurar ajuda?
Se você sente que deixou de ser prioridade na própria vida.
Se sente que perdeu partes importantes de quem era.
Se o relacionamento está sofrendo com a distância emocional ou sexual.
Se você e seu parceiro já não sabem mais como conversar sobre essas questões.
Talvez seja o momento de buscar ajuda profissional.
Não espere que anos de sofrimento se acumulem para então tentar reconstruir a relação.
Quanto antes o casal compreende o que está acontecendo, maiores são as chances de transformação.
Psicóloga Especialista em Relacionamentos, Sexualidade e Terapia de Casal
Sou Nivia Serra, Psicóloga (CRP 05/50281), e trabalho com Terapia Cognitivo-Comportamental, Terapia de Casal, Terapia de Família e Terapia Cognitivo-Sexual.
Atendo mulheres, homens e casais que desejam compreender melhor seus relacionamentos, reconstruir a intimidade e recuperar a conexão emocional e sexual.
Os atendimentos podem ser realizados:
Online para brasileiros que vivem em qualquer lugar do mundo;
Presencialmente no Recreio dos Bandeirantes, Rio de Janeiro – RJ – Brasil.
Se ao ler este texto você percebeu que a pergunta "Quem é Você Além de Mãe, Esposa e Cuidadora?" mexeu com algo dentro de você, talvez seja hora de olhar para essa resposta com mais profundidade.
Clique no botão do WhatsApp e agende sua consulta.
A transformação do relacionamento muitas vezes começa quando você volta a se encontrar consigo mesma.
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